À deriva


Ela também sofre com as coisas da vida há algum tempo - talvez sempre tenha sofrido, mas só se deu conta disso há algum tempo. Pode chamar de crise de sentido, identidade, perspectivas ou weltanschauung. O fato é que, na maior parte do tempo, ela se sente à deriva em meio à liquidez do mundo contemporâneo. Ela não é uma outsider, tampouco uma flâneur (gostaria de ser, mas não é. Mesmo que às vezes finja ser). Na verdade, ela tem todas condições para jogar o jogo deles. Afinal, ela sabe nadar, mas se recusa a fazê-lo. Por isso, acha que não deveria reclamar. Também porque pensa soar infantil sentir-se assim. Contudo, fazer escolhas de vida a angustia diariamente. E o mais difícil, e cansativo, é tentar manter a coerência expressiva. Às vezes ela falha, os disfarces caem, e todos parecem perceber o quão confusa e insatisfeita ela está. Enquanto isso, os cães de guarda continuam gritando silenciosamente: escolha a vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão de alta definição...

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Patti maionese


Jesus died for somebody's sins but not mine
Meltin' in a pot of thieves
Wild card up my sleeve
Thick heart of stone
My sins my own
They belong to me, me

A caneta pode ser uma espada poderosa

Não há palavra melhor do que a palavra certa. É preciso escolher com cuidado aquela que indique exatamente o que se quer expressar. Contudo, às vezes, muito mais se diz sem se dizer nada. Afinal, há coisas que são inefáveis.

Como bem alertam certos filósofos da linguagem: palavras também são atos. Neste sentido, o significado das palavras só pode ser entendido pelo uso que se faz delas o que envolve tanto o conteúdo semântico, quanto a performance, mas também os efeitos que determinado enunciado produz no seu interlocutor. Contudo, a ausência de palavras também é um ato.

Os contextualistas linguísticos diriam ainda que a questão principal a ser feita diante de um ato de fala é: qual a intenção de determinado indivíduo ao proferir tais palavras em tais contextos? No caso da ausência de palavras, a intenção estaria em não proferir.

Ao mesmo tempo, o significado das palavras – e da ausência delas – não deve ser superestimado: às vezes, são apenas o que aparentam ser e não há nenhum significado além.

We'll always have Paris


"D'ailleurs, c'est toujours les autres qui meurent."