O bicho freudiano
Conversa de boteco
The only people for me are the mad ones,
the ones who are mad to live,
mad to talk,
mad to be saved,
desirous of everything at the same time,
the ones who never yawn or say a commonplace thing,
but burn,
burn,
burn ...
Concordei desesperadamente.
(Passamos o restante da noite em silêncio.
Nada mais precisava ser dito.)
Porque não uso meia-calça
Olhares reveladores
Relato de um sonho absurdo
Em certo momento, a porta da cafeteria em que estávamos foi abruptamente aberta. Era David Lynch. Ele não se desculpou pela interrupção, simplesmente veio em direção à nossa mesa, voltou-se para Camus e disse: Eu não acho que as pessoas aceitam o fato de que a vida não faz sentido algum. Só pensar isso as deixa terrivelmente incomodadas. Camus respondeu que sim – apesar de Lynch não ter lhe perguntado nada – e me olhou sorrindo, como se esperasse que eu concordasse com ele. Fingi entender o que ele estava querendo dizer e ambos pareceram satisfeitos com isso. Eu também fiquei satisfeita.
Sobre o clima e outras banalidades
Não há nada mais banalizado do que falar do tempo – refiro-me ao meteorológico, obviamente. Especialmente entre pessoas desconhecidas e em locais que envolvem algum tipo de espera; como filas de banco ou pontos de ônibus. Particularmente, se alguém começa um assunto comigo pela primeira vez com este tema eis o ensejo necessário para que eu perca o interesse imediatamente. A pessoa pode até se esforçar logo na sequência e eventualmente vir a ter algo interessante a dizer – improvável, eu sei, mas isso pode acontecer. Só que pra mim não adianta mais. Neste ponto meu desinteresse já está mobilizado. Talvez eu devesse dar um desconto. Afinal, puxar conversa com um estranho não é tarefa fácil. A maior parte das pessoas não tem habilidade para fazê-lo. Pensemos no caso dos que são socialmente incompetentes, por exemplo. Como eles não compartilham certos códigos sociais não se sentem constrangidos em situações nas quais a maioria das pessoas se sentiria e, por isso, ao puxarem conversa podem acabar criando situações desconfortáveis ou incomodas. Você sabe do que estou falando, certamente conhece alguém assim, são aquelas pessoas que fazem os chamados comentários de mau gosto. Seja por ausência de tato ou de bom senso mesmo, a questão é que frequentemente são intervenções importunas. Tão irritantes que frente a elas falar do desinteressante assunto do clima não parece tão ruim assim.