A sutileza do ódio

À bela e tirana Austera:

Toda forma de ódio é mais sutil do que se imagina.
Talvez a autoria dos erros mais estúpidos nos revela: se eu pudesse parar de escrever, eu o faria... (Se eu pudesse ser menos tolo, também o seria.)
Grata e fértil possibilidade de se exaurir de culpa quando se falseia como louco.
Grata e fértil possibilidade de se exaurir de angústia quando se falseiam palavras na folha de papel.
A madrugada não me revelou coisa alguma, o jazz não me encantou em nada e o vinho sequer brilhou meus olhos.
Malditas lembranças que gostam de se encontrar com seus palpites. Elas os esgarçam até dizerem algo. Até dizerem que nada dizem. Ou dizerem que nada querem, mas apenas dizem - que, como eu, são sem sentido.
Não vejo mais seus filmes. E quando os meus me lembrarem os seus... mal dia para a ciência ou qualquer outra dessas crenças.
Mal dia em que a maldita lembrança notou um ódio sutil de alguma coisa.

Eu poderia falar tudo isso em um acorde, diferente daqueles que um dia fiz pra você.
Mas para não te despertar, apenas fecho meus olhos para parar de escrever.


Jóris.

Nenhum comentário:

Postar um comentário