
Ela também sofre com as coisas da vida há algum tempo - talvez sempre tenha sofrido, mas só se deu conta disso há algum tempo. Pode chamar de crise de sentido, identidade, perspectivas ou
weltanschauung. O fato é que, na maior parte do tempo, ela se sente à deriva em meio à liquidez do mundo contemporâneo. Ela não é uma
outsider, tampouco uma
flâneur (gostaria de ser, mas não é. Mesmo que às vezes finja ser). Na verdade, ela tem todas condições para jogar o jogo deles. Afinal, ela sabe nadar, mas se recusa a fazê-lo. Por isso, acha que não deveria reclamar. Também porque pensa soar infantil sentir-se assim. Contudo, fazer escolhas de vida a angustia diariamente. E o mais difícil, e cansativo, é tentar manter a coerência expressiva. Às vezes ela falha, os disfarces caem, e todos parecem perceber o quão confusa e insatisfeita ela está. Enquanto isso, os cães de guarda continuam gritando silenciosamente: escolha a vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão de alta definição...
"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
uau!
ResponderExcluirLembre-se: cães de guarda só incomodam quem adentra a propriedade alheia.
ResponderExcluirWow!
ResponderExcluirParafraseando "Burdiê": Culturas aculturadas e aculturadoras. Tardei em conhecer seu blog, agora te sigo. Você é uma ótima vizinha, com isso, herdaremos o mundo pós-apocalíptico da blogsfera. Aí dos zumbis e suas categorias decompostas!