25 de Fevereiro


Hoje não lembro de Tennessee Williams, nem de Mário de Andrade, mas sim de Caio Fernando Abreu. Este 25 de Fevereiro também me lembrará Jean Mafra. Uma feliz coincidência, já que, para mim, ele sempre teve algo de Caio F.
(mas isto é assunto para outra ocasião, afinal, ainda estou de férias...).

Férias


Estou em Côte d'Azur. Vim visitar Caroline e Stéphanie. Passamos o dia à beira mar enquanto Marthe nos prepara petiscos e Louis mantém nossos copos cheios de alegria borbulhante. Bom papo, música agradável e leituras interessantes preenchem nossos dias. À noite, Gabrielle abre seu guarda roupas para nos emprestar algo. Devidamente vestidas, seguimos rumo à alguma festa interminável e orgiástica. Pura esbórnia. Quando acordo, percebo que era apenas um truque de Morfeu. Mesmo assim, ainda são férias. É suficiente. Certos pequenos deleites burgueses não são mesmo pra mim. Viro pro lado e volto a dormir – às vezes, até, muito bem acompanhada.

Sobre aquilo que é pós-escrito

Sim, escrevo-te tudo o que eu queria dizer e mesmo assim sempre há um maldito PS. Às vezes ele está lá, escancarado no final do texto, como deveria ser. Afinal, essa é a abreviatura de post-scriptum – e até aí nenhuma novidade. O que você não sabe é que certas vezes dou um jeito de inseri-los no meio do texto: ora em alguma frase reescrita, noutras infiltrado entre hífens e parênteses – ou, até mesmo, nas entrelinhas. Na verdade, acho que você sempre sabe aonde eles estão. Sabe também que não são mera estratégia retórica (eu não preciso disto, preciso?) ou um simples “ah,antesqueeumeesqueça” (eles tem um significado maior que simples lapsos de memória, não?). Além disso, meu caro, eles não servem para sugerir que sempre há algo a mais a ser dito, para isso existem as reticências. Ainda assim, podem ser prepotentes, pois talvez sirvam para indicar que há algo mais naquilo que aparentemente está sendo dito, entende?

PS: isto não é uma provocação.
PPS: isto sim é uma provocação.

Da frieza alheia



- Palavras foram inventadas para descrever mulheres como você.

- Como, por exemplo?

- Impiedosa... E... Inacessível.

- Você me acha fria então, é isso?

- Não, de maneira alguma. Na verdade, eu te acho formidável.

(...)

- Sabe, eu não consigo decidir se você me odeia ou se você é a primeira pessoa que realmente me entendeu.

- Eu não te odeio.

Moustache e afins

Pode ser um suntuoso bigode, uma barba soberba ou mesmo um cavanhaque bem desenhado. Tenho certeza que um deles deve ficar bem em você. Contudo, alerto: possuir pêlos adornando o rosto pode ser apropriado para a pose, meu caro, mas não é isto que faz de ti um intelectual.

Just kids

"Olhamos para nossas mãos dadas. Respiramos fundo, aceitando nossa cumplicidade, não no roubo, mas na destruição de uma obra de arte.
Pelo menos eles não a terão nunca, ele disse.
Quem são eles?
Qualquer pessoa além de nós dois, respondeu."

Festividades de final de ano




Em homenagem às minhas amigas que se soltam somente nestas ocasiões - also known as: piranhas do escritório/departamento/redação.

Da classificação

- Você está chateada porque ficou em quarto lugar?

- De maneira nenhuma. Na verdade, confesso-te: esta sempre foi minha posição favorita...




P.s.: um beijo para o meu "amigo" Iggy Pop (lá na década de 70, porque hoje estás muito acabadinho).

Alteridade

Esbarramo-nos numa destas noites aleatórias. Ele adora dissertar prolixamente sobre a natureza humana quando está embriagado. Curiosamente, desta vez parecia interessado em ouvir o que eu pensava a respeito. Perguntou-me sobre o que nos une, o que nos faz viver em sociedade.

Eu poderia falar-lhe do contrato, da solidariedade, da propriedade, da héxis ou do habitus. Poderia tê-lo ignorado também. Contudo, achei que poderia fazer uso da oportunidade para lhe dar uma alfinetada – uma de minhas especialidades. Então, respondi:

- Todos nós somos socialmente incompetentes em alguma medida. Para disfarçar – ou seja, para ao menos parecer competentes –, aprendemos os códigos socialmente instituídos. É preciso domínio das regras para acompanhar o jogo. Afinal, alienar-se nem sempre é uma opção: a misantropia muito raramente pode ser assumida, querido.

Chamou-me de apática ou resignada, não me lembro bem. No entanto, partilhamos uma coca-cola gelada. Nestes momentos, até os mais cínicos atestam que fomos feitos um para o outro: não há outra possibilidade.