
À deriva

Patti maionese
A caneta pode ser uma espada poderosa
Não há palavra melhor do que a palavra certa. É preciso escolher com cuidado aquela que indique exatamente o que se quer expressar. Contudo, às vezes, muito mais se diz sem se dizer nada. Afinal, há coisas que são inefáveis.
Como bem alertam certos filósofos da linguagem: palavras também são atos. Neste sentido, o significado das palavras só pode ser entendido pelo uso que se faz delas – o que envolve tanto o conteúdo semântico, quanto a performance, mas também os efeitos que determinado enunciado produz no seu interlocutor. Contudo, a ausência de palavras também é um ato.
Os contextualistas linguísticos diriam ainda que a questão principal a ser feita diante de um ato de fala é: qual a intenção de determinado indivíduo ao proferir tais palavras em tais contextos? No caso da ausência de palavras, a intenção estaria em não proferir.
Ao mesmo tempo, o significado das palavras – e da ausência delas – não deve ser superestimado: às vezes, são apenas o que aparentam ser e não há nenhum significado além.
25 de Fevereiro
Férias

Estou em Côte d'Azur. Vim visitar Caroline e Stéphanie. Passamos o dia à beira mar enquanto Marthe nos prepara petiscos e Louis mantém nossos copos cheios de alegria borbulhante. Bom papo, música agradável e leituras interessantes preenchem nossos dias. À noite, Gabrielle abre seu guarda roupas para nos emprestar algo. Devidamente vestidas, seguimos rumo à alguma festa interminável e orgiástica. Pura esbórnia. Quando acordo, percebo que era apenas um truque de Morfeu. Mesmo assim, ainda são férias. É suficiente. Certos pequenos deleites burgueses não são mesmo pra mim. Viro pro lado e volto a dormir – às vezes, até, muito bem acompanhada.
Sobre aquilo que é pós-escrito
Da frieza alheia




