Sshhh!

Já notou que tem gente que parece falar com o caps lock ligado? Digam o que disserem – mas em voz baixa, por favor –, eu nunca deixei de acreditar que falar alto esconde algum problema. De surdez à falsa auto-afirmação. Não raro, quem fala alto, pouco faz ou está errado. Geralmente, não ouve. E há quem repita, como se reenviar fizesse com que eu não deletasse de novo a inútil mensagem.
Mas - como o mundo é injusto - em um grupo de mudos, quem fala alto vira líder. Peguemos uma reunião, por exemplo. Quem tem uma excelente ideia e fica quieto, não resolve. Assim, quem se manifesta, independentemente do conteúdo da proposta, pode vê-la aceita. Frequentemente, não pela ideia em si, mas por ter sido o único que falou.
Isso me lembra outro fraco dessa relação: os que mal abrem a boca. E, quando o fazem, têm sua voz esganiçada ou artificializada. Ou, ainda pior, ignorada – já que ninguém está acostumado a ouvi-la... É como se o ouvido fosse um windows pirata que não reconhece a configuração daquela fala.
Se existe uma regulação do equilíbrio entre falar e ouvir, não sei. É questão de bom senso. Comece adequando-se à velha ABNT (olha o caps lock aí!!): arial ou times new roman, tamanho 12.

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