Começo dizendo que detesto o novo acordo ortográfico. Não porque escrever estreia sem acento me pareça dramático, mas simplesmente porque certas coisas deveriam ser deixadas como são - no caso, como eram. Além disso, penso que os linguístas deveriam achar coisas mais interessantes das quais se ocupar.
Dito isso, tratemos agora dos brioches. Afinal, o que são brioches? Se você começou a ler isso pensando que eu responderia à essa sua inquietação existencial, esqueça. Pare de ler aqui mesmo (se é que você já aguentou ler até aqui).
Pouco me importa o que são os tais brioches.
Obviamente devem ser um tipo de pão - parece que eles estão à venda em padarias. Mas, exceto em receitas (e não me refiro somente àquelas que chefs ingleses com cortes de cabelo descolados inventam), ninguém quer ler algo que contenha as palavras farinha, sal e ingredientes em geral.
Não que eu me interesse sobre o que vocês querem ler, mas o que quero lhes falar é outra coisa: sobre o que me incomoda em relação aos brioches.
Em primeiro lugar, a maioria das pessoas (leia-se: todas as que conheço) nunca comeu um brioche. Contudo, adoram fazer referência ao que Maria Antonieta disse. Ou melhor, ao que dizem que ela disse - não confio muito nos historiadores.
Outra coisa que me perturba é o fato dos brioches serem franceses. Das baguetes e dos croissants eu gosto. Mas esses eu já vi, já comi, já digeri. E eles não soam tão aristocráticos quanto os brioches.
Mas não é só isso que os fazem ser irritantes, e sim a forma como algumas pessoas pronunciam a palavra brioche. Isso sim me irrita - até mais que os próprios brioches. Eis aí uma questão da qual os linguístas deveriam se ocupar.
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