Olhares reveladores

Saber interpretar um olhar é uma arte. Muitas pessoas julgam saber, mas, na verdade, frequentemente se enganam. É claro que sempre pode haver aquela coisa, à la Quintana: quem exprime o olhar pensa uma coisa, expressa outra coisa e seu interlocutor entende uma terceira coisa; e a coisa propriamente dita passa a desconfiar que não foi propriamente dita. Contudo, muito raramente, é possível se aproximar de uma leitura fiel do que um olhar quer realmente dizer. Só que isso não depende somente de quem o lê, mas também de quem exprime o olhar e, principalmente, de algo que escapa ao controle dos dois. Talvez, uma empatia sutil, um tipo de conexão recíproca - inefável - que poucas pessoas têm o prazer de experienciar. Nessa situação incomum, os silêncios não são constrangedores, nem implicam em ansiedade alguma. A necessidade de se expressar oralmente o que se quer dizer passa a ser descartável. Eles são capazes de se entender verdadeiramente por meio de olhares, entende? Entretanto, como em toda arte, resta sempre a dúvida: até que ponto essa sensação é real ou apenas uma representação? (O que, de maneira alguma, a torna menos interessante).

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