A maneira como levávamos as pequenas xícaras de porcelana branca à boca também indicava certo refinamento, assim como a delicadeza que empenhávamos ao fumar os eventuais cigarros – que eram acesos cada vez com mais frequência, conforme se desenrolava a conversa. Apesar dessas aparentes formalidades parecíamos estar muito à vontade um com o outro. O tom da conversa sugeria isso. Fofocamos a respeito de Sífifo, Marie, Janine e daquele homem revoltado. Zombamos de Sartre. Também falamos sobre futebol e sobre escolher viajar de trem ou de carro.
Em certo momento, a porta da cafeteria em que estávamos foi abruptamente aberta. Era David Lynch. Ele não se desculpou pela interrupção, simplesmente veio em direção à nossa mesa, voltou-se para Camus e disse: Eu não acho que as pessoas aceitam o fato de que a vida não faz sentido algum. Só pensar isso as deixa terrivelmente incomodadas. Camus respondeu que sim – apesar de Lynch não ter lhe perguntado nada – e me olhou sorrindo, como se esperasse que eu concordasse com ele. Fingi entender o que ele estava querendo dizer e ambos pareceram satisfeitos com isso. Eu também fiquei satisfeita.
Em certo momento, a porta da cafeteria em que estávamos foi abruptamente aberta. Era David Lynch. Ele não se desculpou pela interrupção, simplesmente veio em direção à nossa mesa, voltou-se para Camus e disse: Eu não acho que as pessoas aceitam o fato de que a vida não faz sentido algum. Só pensar isso as deixa terrivelmente incomodadas. Camus respondeu que sim – apesar de Lynch não ter lhe perguntado nada – e me olhou sorrindo, como se esperasse que eu concordasse com ele. Fingi entender o que ele estava querendo dizer e ambos pareceram satisfeitos com isso. Eu também fiquei satisfeita.
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