Mediocridade

Achava-se talhado para grandes feitos. Assim como a maior parte das pessoas, era medíocre e sempre seria. Jamais realizaria algo extraordinário, mas insistia em pensar o contrário. Julgava ser boa pessoa, contudo, permitia-se pequenos deslizes morais que não considerava falhas de caráter. Não se destacava em nada. Nunca chegou em primeiro lugar, sequer tinha habilidade alguma. Não era completamente burro, mas sua inteligência era tão mediana e comum que me provocava ânsias. Patético, pensava que suas frases e conselhos repletos de lugares comuns eram brilhantes. Era ridículo, eu o desprezava profundamente. E ele sentia por mim estas mesmas coisas que eu sentia por ele. (Nos amávamos loucamente).

2 comentários:

  1. A inacreditabilidade de se reconhecer medíocre é tão comum que, talvez por isso também, se torna medíocre. O ser fantástico de pele finita, que promete ao mundo fantasticidades, que pensa dominar um transbordo de excepcionalidade quando lhe convém, é o mesmo ser que senta ao meu lado e pede um suco de laranja em tempos de frio repentino.
    Irresponsáveis.

    Grato,

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  2. A descoberta da própria mediocridade é rara. Mas o que importa - e caracteriza quem a percebe - é a reação mediante ela. Ironia, silêncio e choro são as mais comuns.

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